A cirurgia bariátrica tem seus resultados percebidos facilmente por qualquer pessoa que conviva próxima a um paciente que foi submetido a esse procedimento. No entanto, a cirurgia deve ser muito bem indicada e o paciente sempre acompanhado por uma equipe multiprofissional para que, dessa forma, atinja os seus resultados satisfatórios. O Dr. Nélios Catossi, cirurgião do aparelho digestivo da clínica Primed, explica mais na entrevista a seguir.

O que é a Cirurgia Bariátrica?

Dr. Nélios: A Cirurgia Bariátrica é uma das opções de tratamento para a obesidade mórbida. Ela é indicada para pacientes com IMC (índice de massa corpórea) superior a 40, ou entre 35 e 40 que apresentem comorbidades associadas, tais como: hipertensão arterial, diabetes tipo II, apnéia do sono, doenças cardiovasculares, doença do refluxo gastroesofageano, infertilidade e outras.
É importante ressaltar que se deve ter realizado outros tratamentos por cerca de 2 anos antes de ser cogitada a cirurgia. O diagnóstico final para indicação da bariátrica pode ser feita por um cirurgião ou por um endocrinologista.

Quais seriam os outros tratamentos possíveis antes de ser realizada a cirurgia bariátrica?

Dr. Nélios: O tratamento da obesidade é uma combinação entre promover um maior gasto energético com a menor ingestão calórica, proporcionando condições para a perda de peso. A dieta aliada aos exercícios físicos proporciona esse cenário. Existe, ainda, a possibilidade de serem utilizados medicamentos que irão auxiliar na redução do apetite e/ou aumentar o metabolismo do paciente. Também deve ser avaliada a possibilidade de que outras doenças endócrinas possam estar causando a obesidade.

Como é feita a cirurgia?

Dr. Nélios: O pré-operatório consiste de uma avaliação da saúde geral do paciente (exames cardiológicos, respiratórios, laboratoriais e psicológicos), com o intuito de diagnosticar e tratar (quando possível) outras doenças que podem complicar a cirurgia ou até mesmo contra indica-la. Desde o início do processo de pré operatório é feito um acompanhamento com nutricionistas com o objetivo de reduzir um certo percentual do peso do paciente até a data da cirurgia melhorando, dessa forma, a sua condição para a realização do procedimento e diminuindo suas possíveis complicações.
Existem várias técnicas cirúrgicas, atualmente são duas as mais utilizadas. A primeira, chamada de cirurgia de Sleeve (“manga” em inglês) ou gastrectomia vertical, consiste na retirada de uma boa parte do estômago, visando reduzir a capacidade do reservatório gástrico para aproximadamente 100ml, restringindo dessa forma, a quantidade de alimento ingerido pelo paciente. A segunda técnica é a cirurgia de bypass gástrico ou derivação gástrica, em que se confecciona um estômago pequeno, em torno de 30 ml de capacidade; o restante do estômago do paciente fica excluso ou isolado. Ao fim é feita uma anastomose, uma ligação entre o estômago e o intestino com o intuito de além de restringir o volume de alimento também diminuir a quantidade de nutrientes que serão absorvidos pelo intestino do paciente.
Ambas as cirurgias podem ser feitas por videolaparoscopia ou de forma aberta. A diferença é que a cirurgia por vídeo é feita por pequenas incisões, deixando marcas muito menores, além de o pós-operatório ser melhor, com o paciente conseguindo retornar às suas atividades normais precocemente.

Como é o pós-operatório dessa cirurgia?

Dr. Nélios: O pós-operatório da cirurgia bariátrica consiste em aderir a uma dieta, nos primeiros 30 dias, apenas de líquidos pouco calóricos, para ajudar na cicatrização e na recuperação do estômago. Depois desse mês inicial a dieta será gradualmente liberada de forma progressiva até se aproximar da dieta ideal que o paciente deverá manter por toda a vida, em quantidade reduzida e com alimentos de bom valor nutritivo e pouco valor calórico – sempre acompanhado e orientado por um nutricionista habilitado. A atividade física deve-se iniciar o mais precoce possível, porém os primeiros 90 dias requerem cuidado e orientação especial, evitando fazer exercícios de muito impacto, principalmente sobre o abdômen.
Lembrando que os cuidados com a alimentação e a atividade física deverão ser mantidos pelo paciente por toda a vida para evitar o reganho de peso.

O paciente consegue comer a mesma quantidade que comia antes da cirurgia?

Dr. Nélios: Não. No entanto, se o paciente ainda tentar comer uma quantidade excessiva ele vai sentir um desconforto, mal estar, podendo apresentar vômitos e outras complicações.

Existe a possibilidade de reincidência do ganho de peso? É indicado refazer a cirurgia nesses casos?

Dr. Nélios: Existem estudos que apontam que o reganho de peso pode ocorrer em cerca de 15 a 30% dos pacientes submetidos a cirurgia bariátrica. Isso acontece por questões multifatoriais. As causas de reganho de peso são classificadas em fatores ligados ao paciente (biológicas e comportamentais) quando esses deixam de se dedicar à dieta e aos exercícios físicos e aqueles fatores relacionados às técnicas cirúrgicas. Mesmo com o estômago reduzido, se o paciente comer muitos alimentos calóricos, mesmo que em pouca quantidade, ele vai engordar.
É possível realizar uma nova cirurgia bariátrica, alterando a técnica cirúrgica, em alguns casos selecionados, e quando acompanhados e avaliados por uma equipe multiprofissional a fim de identificar e corrigir a falha ocorrida na primeira tentativa cirúrgica do tratamento da obesidade.

Dr. Nélios George Garcia Catossi
Cirurgião geral e Cirurgião do Aparelho Digestivo
CRM 22853/ PR

Graduado pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG).
Residência em Cirurgia Geral pela FURG e em Cirurgia do Aparelho Digestivo pela Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre.

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