Muito se fala sobre o câncer de pele. Alguns assuntos são mitos, mas outros são verdades e merecem sua atenção. Para entender melhor como esse câncer se manifesta e como preveni-lo, o dr. Jonathan Geronasso Simões, oncologista cirúrgico da clínica Primed, explica mais sobre o assunto na entrevista a seguir.

O que é o câncer de pele?

Dr. Jonathan: O câncer se origina de uma mutação da célula. A célula possui uma programação para entrar em apoptose, que é a morte celular, mas no caso de um paciente que possui o câncer de pele, isso não ocorre e a pele começa a se proliferar desgovernadamente e forma o tumor. Existem lesões que são pré-cancerígenas, ou seja, que antecedem a formação do tumor. A principal delas é a Ceratose Actinica (conhecida também como Ceratose Solar), que é uma lesão que tem como uma das causas o defeito na camada de ozônio da atmosfera, assim como a exposição solar.

Quais os tipos de câncer de pele?

Dr. Jonathan: Existem basicamente 3 tipos histológicos de câncer de pele. Cerca de 85% dos casos são de Carcinoma Basocelular. 12 a 15% são de Carcinoma Espinocelular e cerca de 5% são do tipo Melanoma. Apesar de ser o menos incidente, o Melanoma é o tipo mais relevante por ter uma alta mortalidade dos pacientes e ser mais agressivo que os demais tipos. Nos primeiros dois tipos de câncer de pele raramente acontecem a metástase, ou seja, a saída do tumor do órgão em que se originou (nesse caso, na pele) e atinge outros órgãos. Esse efeito é mais comum no tipo 3, o Melanoma, e por isso ele requer bastante atenção.
Nos tipos Carcinoma Basocelular e Espinocelular acontece um crescimento local e interno, mas causam um grande dano estético especialmente se for na região da face. Eles também podem causar dor e sangrar.

Qual o tratamento indicado para essa doença?

Dr. Jonathan: O tratamento é a cirurgia para remoção do tumor, visando a cura do paciente. Além da remoção, também é feita uma reconstrução do local da pele que estava acometida pela doença. Existe a possibilidade de realizar Radioterapia para o tratamento, mas não é tão efetivo em evitar a reincidência do tumor.
Para os casos de tumor Melanoma, existem as seguintes opções de tratamento:
Tratamento local:
– Remover a lesão com biopsia excisional;
– Estudo por um patologista da profundidade da lesão, ou seja, de seu crescimento vertical;
– Verificar se existe a necessidade de fazer a pesquisa do gânglio sentinela.
Tratamento sistêmico:
– Imunoterapia: recomendado para quando o câncer está em estágio metastático (proliferação para outros órgãoes) e consiste em drogas prescritas com o objetivo de “estacionar” o tumor, evitando que ele continue se espalhando. É uma opção para segurar o avanço da doença por um tempo, até que possa ser feita a cirurgia.

Como é possível diagnosticar o câncer Melanoma?

Dr. Jonathan: Existe uma regra muito simples e que pode ajudar as pessoas a identificar se há a necessidade de buscar um profissional. O nome é a regra do ABCD e o paciente deve ficar atento à Assimetria da mancha ou pintinha preta que tenha surgido em sua pele, tendo os Bordos levemente elevados e Coloração é de uma pigmentação mais escura. Por último, deve-se notar o Diâmetro da deformidade suspeita de ser um tumor. Ela deve possuir mais de 6 milímetros para se enquadrar numa suspeita de melanoma.

Existe uma faixa etária mais propensa a contrair esse tipo de câncer?

Dr. Jonathan: Não, pois o câncer de pele está ligado à exposição solar, podendo atingir qualquer faixa etária. No caso do melanoma, também pode haver a influência de herança genética.

Qual a indicação de uso de protetor solar no dia a dia?

Dr. Jonathan: Não tem uma limitação no uso de protetor solar. Lembrando que não se deve passar protetor solar apenas quando sair de casa, pois mesmo dentro de casa é possível sofrer os efeitos dos raios causadores do câncer se estiver próximo a uma janela, por exemplo.
Na hora da escolha de qual protetor solar comprar, opte sempre por fatores acima de 30, que podem proteger melhor a pele. A reaplicação, em um dia normal, recomenda-se de ser feita a cada 6h. No caso de estar na praia ou piscina, o intervalo para reaplicar deve ser menor. Deve-se evitar a exposição solar das 10h às 15h e lembrar de, além de passar protetor, usar óculos de sol. A região da mucosa do olho e das pálpebras não recebe protetor solar e pode ficar exposta também a ser um local de câncer de pele se não for devidamente protegida com o óculos.

Dr. Jonathan Geronasso Simões

Cancerologista/ Oncologista cirúrgico

CRM 26033/ PR

Graduado pela Faculdade Evangélica do Paraná.

Residência em Cirurgia Geral pelo Hospital Norte Paranaense (São João de Freitas)/ Arapongas e em Cirurgia Oncológica pela Santa Casa/ Ponta Grossa.

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